A artroscopia do cotovelo representa uma das maiores evoluções da cirurgia ortopédica. O cirurgião usa pequenas incisões e uma câmera de alta definição para visualizar e tratar o interior da articulação. Assim, ele opera com precisão sem precisar abrir amplamente o cotovelo. Por essa razão, o paciente se recupera mais rápido e sente menos dor no pós-operatório.

O que é a artroscopia do cotovelo?
A artroscopia usa um instrumento chamado artroscópio — um tubo fino com câmera e fonte de luz na extremidade. Por meio dele, o cirurgião acompanha toda a articulação do cotovelo em tempo real, em um monitor de alta resolução.
Para realizar o procedimento, o cirurgião cria pequenas incisões chamadas portais, com menos de um centímetro. Em seguida, ele injeta soro fisiológico para expandir a articulação e abrir espaço para a câmera e os instrumentos. Dessa forma, o procedimento causa muito menos trauma nos tecidos ao redor do cotovelo.
Vale destacar que o cotovelo é uma das articulações mais complexas do corpo humano. Por isso, o cirurgião precisa de treinamento específico e experiência em anatomia artroscópica dessa região.
Quais são as indicações da artroscopia do cotovelo?
O cirurgião indica a artroscopia do cotovelo principalmente quando o tratamento conservador não traz melhora. Além disso, ela é a melhor opção para condições que exigem visualização direta da articulação.
Corpos livres articularesFragmentos de osso ou cartilagem soltos dentro do cotovelo que causam travamento, dor e estalos.
Epicondilite lateral e medialCasos de cotovelo de tenista ou de golfista que não respondem ao tratamento clínico após seis meses.
Artrolise do cotoveloO cirurgião libera aderências e a rigidez articular, restaurando a amplitude de movimento perdida.
Artrose do cotoveloO cirurgião remove osteófitos e limpa a articulação para reduzir a dor e melhorar o movimento.
Sinovite e sinovectomiaO cirurgião retira a membrana sinovial inflamada em casos de artrite reumatoide ou sinovite crônica.
Lesões ligamentares e tendíneasO cirurgião repara estruturas danificadas por traumas ou esportes de arremesso.
Em particular, os corpos livres articulares figuram entre as indicações mais frequentes. Eles causam episódios de travamento súbito do cotovelo e geram dor intensa. Portanto, o cirurgião os retira com precisão e com mínimo impacto sobre os tecidos saudáveis.
Da mesma forma, a epicondilite lateral e a epicondilite medial têm na artroscopia uma saída eficaz quando os tratamentos iniciais falham.
Artroscopia do cotovelo versus cirurgia aberta
Ao comparar as duas técnicas, a artroscopia oferece vantagens claras na recuperação e no conforto do paciente. No entanto, a cirurgia aberta ainda é a melhor escolha em alguns casos complexos.
Cirurgia aberta
- Incisões maiores
- Maior trauma nos tecidos
- Internação mais longa
- Recuperação mais lenta
- Maior risco de rigidez pós-operatória
Artroscopia do cotovelo
- Incisões menores que 1 cm
- Mínimo trauma nos tecidos
- Alta hospitalar em até 24h
- Recuperação mais rápida
- Visão completa da articulação
Além disso, o artroscópio permite ao cirurgião ver toda a articulação de forma panorâmica. A cirurgia aberta não oferece essa visão completa. Por outro lado, a artroscopia do cotovelo exige mais habilidade técnica. Por isso, o cirurgião precisa de treinamento específico nessa área.
Como o cirurgião realiza a artroscopia do cotovelo?
Em primeiro lugar, o cirurgião aplica anestesia geral combinada com bloqueio do plexo braquial. Esse bloqueio garante conforto durante a cirurgia e reduz a dor nas primeiras horas após o procedimento. Geralmente, o paciente fica em decúbito lateral ou ventral, com o cotovelo suspenso.
Em seguida, o cirurgião cria os portais — pequenas incisões ao redor do cotovelo. Ele insere o artroscópio por um portal e os instrumentos pelos demais. Dessa forma, ele visualiza e trata a articulação com total controle.
No geral, o tempo cirúrgico varia de 30 minutos a duas horas. Após o procedimento, o paciente recebe curativo e imobilização leve. Na maioria dos casos, ele recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte.

Recuperação após a artroscopia do cotovelo
Após a artroscopia do cotovelo, o paciente se recupera de forma mais rápida do que na cirurgia aberta. No entanto, o tempo total varia conforme o procedimento e o grau de comprometimento inicial da articulação.
Fase inicial — primeiros 7 a 14 dias
Nos primeiros dias, o paciente usa uma leve imobilização e realiza exercícios suaves de mobilidade. Esses exercícios evitam o início de rigidez articular. Além disso, o paciente controla a dor e o edema com medicamentos e gelo. É fundamental que ele mantenha o braço elevado para reduzir o inchaço.
Fase intermediária — 2 a 6 semanas
Em seguida, o paciente inicia a fisioterapia de forma progressiva. O foco é recuperar a amplitude de movimento e fortalecer a musculatura gradualmente. Nessa fase, a maioria dos pacientes já consegue realizar as atividades básicas do dia a dia.
Retorno às atividades — 6 semanas a 3 meses
Progressivamente, o paciente retorna ao trabalho e às atividades físicas. Contudo, esportes de arremesso e atividades de alta demanda podem exigir até seis meses de reabilitação. Por isso, a adesão à fisioterapia determina o resultado final.
Para se preparar da melhor forma, confira as orientações cirúrgicas do Dr. Henry Fukuda com todas as informações sobre o pré e o pós-operatório.

A artroscopia do cotovelo é indicada para mim?
Embora a artroscopia do cotovelo seja segura e eficaz, ela não atende todos os casos. Pacientes com infecção ativa, degeneração articular muito avançada ou mobilidade extremamente restrita precisam de outras abordagens. Por isso, o ortopedista avalia cada caso individualmente antes de indicar o procedimento.
Portanto, o médico e o paciente tomam essa decisão juntos, após avaliação clínica e análise dos exames de imagem. Vale lembrar que condições como dor crônica no cotovelo e bursite do olécrano têm tratamentos específicos a considerar antes da cirurgia.
Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), cirurgiões treinados obtêm baixas taxas de complicação e alta satisfação dos pacientes. Para isso, a indicação correta e a reabilitação adequada são essenciais.
