Por Dr. Henry Fukuda · Ortopedista especialista em ombro e cotovelo · HC-FMUSP / USP

A prótese do ombro é uma cirurgia que substitui a articulação desgastada por componentes artificiais de metal e polietileno, restaurando a função e aliviando a dor de forma duradoura. Embora seja menos conhecida do que a prótese do joelho ou do quadril, ela tem crescido significativamente nas últimas décadas. Por essa razão, entender quando ela é indicada, quais são os tipos disponíveis e como é a recuperação ajuda o paciente a tomar uma decisão consciente sobre o próprio tratamento.

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O que é a prótese do ombro?

A articulação do ombro é formada pela cabeça do úmero — a parte esférica do osso do braço — e pela cavidade glenoidal da escápula. Ambas as superfícies são revestidas por cartilagem, que permite o movimento suave e sem dor. Portanto, quando essa cartilagem se desgasta de forma irreversível — seja pela artrose, por uma fratura grave ou por lesões extensas do manguito rotador — a cirurgia de substituição articular passa a ser a melhor solução para devolver qualidade de vida ao paciente.

Nesse sentido, a prótese do ombro funciona de forma semelhante a uma prótese de joelho ou quadril: os componentes artificiais reproduzem a anatomia da articulação e permitem o movimento com muito menos dor ou sem dor alguma.


Quais são os tipos de prótese do ombro?

O cirurgião escolhe o tipo de prótese conforme a condição específica do paciente. Nesse sentido, existem três tipos principais:

Prótese total anatômica (artroplastia total anatômica)

A prótese total anatômica respeita a anatomia original do ombro. Nela, o cirurgião substitui a cabeça do úmero por uma esfera metálica e reveste a cavidade glenoidal com um componente de polietileno. Por isso, ela é indicada principalmente para pacientes com artrose glenoumeral e manguito rotador íntegro — ou seja, quando os tendões estão preservados e funcionantes.

Essa é a opção que mais se aproxima da articulação natural e oferece excelentes resultados em pacientes selecionados corretamente. Além disso, permite uma recuperação funcional completa com retorno às atividades de vida diária sem restrições.

Prótese reversa do ombro (artroplastia reversa)

A prótese reversa inverte a anatomia do ombro: a esfera metálica é fixada à escápula (glenoide) e o componente côncavo vai para o úmero. Dessa forma, o músculo deltoide — em vez do manguito rotador — passa a ser o principal responsável pela elevação do braço. Por essa razão, ela é indicada quando há artrose associada à lesão irreparável do manguito rotador, em fraturas complexas em idosos e em falhas de cirurgias anteriores.

Hemiartroplastia

Na hemiartroplastia, o cirurgião substitui apenas a cabeça do úmero, sem tratar a cavidade glenoidal. Nesse sentido, seu uso tornou-se mais restrito com o avanço das técnicas de prótese total e reversa. Atualmente, o cirurgião a indica principalmente em fraturas agudas do úmero proximal em que a reconstrução com fixação interna não é viável.


Quando a prótese do ombro é indicada?

A prótese do ombro é indicada quando outras opções de tratamento — como fisioterapia, infiltrações e cirurgias de preservação articular — não trouxeram melhora suficiente. Entre as principais indicações, estão:

– Artrose glenoumeral avançada: o desgaste completo da cartilagem causa dor constante, rigidez e limitação funcional grave. Nesse caso, a prótese total anatômica oferece os melhores resultados quando o manguito rotador está preservado.
– Artropatia do manguito rotador: artrose associada à ruptura irreparável dos tendões do manguito. Por isso, a prótese reversa é a escolha nessa situação — ela não depende do manguito para funcionar.
– Fraturas complexas do úmero proximal em idosos: quando a fixação cirúrgica com placa não é viável por causa da qualidade óssea ou da complexidade da fratura, a prótese reversa oferece resultados mais previsíveis.
– Falha de cirurgias anteriores: pacientes com próteses anteriores desgastadas ou com complicações de cirurgias de manguito ou instabilidade podem se beneficiar da revisão com prótese.
– Pseudoparalisia do ombro: incapacidade de elevar o braço mesmo sem dor intensa, por causa da lesão grave do manguito rotador. Nesse cenário, a prótese reversa permite recuperar o movimento.
– Necrose avascular da cabeça do úmero: quando o suprimento sanguíneo é interrompido e a cabeça do úmero colapsa, a substituição articular é o único caminho para recuperar a função.

Vale destacar que a artrose do ombro pode ser avaliada em conjunto com outras condições presentes no mesmo paciente. Nesse sentido, confira também o artigo sobre artrose do ombro para entender as etapas anteriores ao tratamento cirúrgico.


Como é a cirurgia de prótese do ombro?

O cirurgião realiza o procedimento sob anestesia geral combinada com bloqueio do plexo braquial. Em seguida, acessa a articulação por uma incisão anterior — entre os músculos deltoide e peitoral maior — sem necessidade de cortar o músculo deltoide. Nesse acesso, o cirurgião remove as superfícies articulares desgastadas e implanta os componentes protéticos com precisão.

O planejamento pré-operatório é fundamental. Por meio de tomografia computadorizada com reconstrução 3D, o cirurgião avalia o grau de desgaste ósseo da glenoide, a versão da cavidade e o tamanho dos componentes necessários. Em alguns centros, o planejamento utiliza inteligência artificial e impressão 3D para guias cirúrgicos personalizados — o que aumenta a precisão do posicionamento dos implantes e melhora os resultados.

Ao final da cirurgia, o paciente recebe curativo e imobilização. Na grande maioria dos casos, a alta hospitalar ocorre em um a dois dias.

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Recuperação após a prótese do ombro

A recuperação da prótese do ombro exige comprometimento com a fisioterapia. Em geral, o processo segue fases bem definidas:

0 a 6 semanas — proteção: o braço permanece em tipoia. Durante esse período, o paciente realiza exercícios passivos suaves, conduzidos pelo fisioterapeuta, para evitar a rigidez sem sobrecarregar os componentes recém-implantados.

6 a 12 semanas — recuperação da mobilidade: a tipoia é retirada progressivamente. Em seguida, exercícios ativos-assistidos são iniciados para recuperar a amplitude de movimento do ombro.

3 a 6 meses — fortalecimento: exercícios de fortalecimento muscular ganham intensidade gradual. Nessa fase, a maioria dos pacientes já consegue realizar as atividades de vida diária sem restrições relevantes.

6 meses a 1 ano — resultado final: a recuperação completa da força e do movimento ocorre nesse período. A maioria dos pacientes relata melhora significativa da dor já nas primeiras semanas após a cirurgia.

Vale lembrar que a recuperação da prótese reversa pode ser levemente mais lenta do que a da prótese anatômica, pois o paciente precisa reaprender o padrão de movimento com o músculo deltoide assumindo a função do manguito. Por isso, a adesão à fisioterapia é determinante para o resultado final.


Quais são os resultados esperados?

Os resultados da prótese do ombro são consistentemente positivos na literatura ortopédica. A maioria dos pacientes relata:

– Redução significativa ou eliminação completa da dor já nas primeiras semanas
– Recuperação da amplitude de movimento para as atividades de vida diária
– Melhora expressiva da qualidade de vida e do sono
– Retorno às atividades leves de trabalho e lazer em três a quatro meses

Nesse sentido, a satisfação com a prótese do ombro é alta — especialmente quando a indicação é correta e a reabilitação é seguida adequadamente.


Quais são os riscos e as complicações?

Como qualquer cirurgia, a prótese do ombro tem riscos. No entanto, eles são pouco frequentes quando o procedimento é realizado por um cirurgião experiente em centro especializado. As principais complicações incluem:

– Infecção: rara, mas grave. O cirurgião adota cuidados rigorosos de assepsia e antibióticos profiláticos para minimizar esse risco.
– Soltura dos componentes: pode ocorrer ao longo dos anos, especialmente no componente glenoidal. Nesse caso, uma cirurgia de revisão pode ser necessária.
– Luxação da prótese: mais comum na prótese reversa, especialmente nos primeiros meses. Por isso, o paciente recebe orientações precisas sobre as posições e movimentos a evitar.
– Fratura ao redor do implante: fratura do úmero próxima à prótese, geralmente por trauma. Exige avaliação cirúrgica individualizada.
– Lesão nervosa: o nervo axilar passa próximo à área cirúrgica. O cirurgião o identifica e protege durante todo o procedimento.

Para se preparar adequadamente, confira as orientações cirúrgicas do Dr. Henry Fukuda com tudo o que o paciente precisa saber antes e depois da cirurgia.


Por quanto tempo a prótese do ombro dura?

Essa é uma das perguntas mais frequentes dos pacientes. Em geral, as próteses de ombro modernas têm uma durabilidade de 15 a 20 anos ou mais, com bom nível de atividade e sem sobrecarga excessiva. Além disso, os avanços nos materiais e no design dos implantes têm aumentado continuamente a longevidade dos componentes.

Por isso, em pacientes mais jovens, o cirurgião avalia cuidadosamente o perfil de atividade e considera opções de preservação articular — como as infiltrações com plasma rico em plaquetas e os procedimentos artroscópicos — antes de indicar a prótese. Nesse sentido, confira o artigo sobre a artroscopia do ombro para conhecer as alternativas disponíveis.


Prótese do ombro e atividade física: o que é permitido após a cirurgia?

Após a recuperação completa, a maioria dos pacientes retorna a atividades de baixo impacto sem restrições — como caminhada, natação (com técnica adaptada), ciclismo e golf. Contudo, atividades de alto impacto e contato físico devem ser evitadas para preservar a durabilidade dos componentes.

Nesse sentido, o médico orienta cada paciente individualmente conforme seu perfil de atividade, nível de exigência e tipo de prótese implantada.

Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), a prótese do ombro é um dos procedimentos com maior índice de satisfação em cirurgia ortopédica — especialmente quando a indicação é correta e o acompanhamento pós-operatório é adequado.


Está com dor constante no ombro que não melhora com tratamento clínico? Agende sua consulta com o Dr. Henry Fukuda — especialista em cirurgia do ombro e cotovelo pelo HC-FMUSP e membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês.