Fratura do úmero proximal: sintomas, tipos e como tratar

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A fratura do úmero proximal é a fratura do ombro mais comum no mundo. Ela ocorre quando o osso se rompe na parte superior do braço, logo abaixo da cabeça do úmero. Por isso, muitas pessoas a chamam simplesmente de “fratura do ombro”. Embora a maioria dos casos tenha tratamento conservador, alguns exigem cirurgia. Por essa razão, o diagnóstico correto e a orientação de um especialista fazem toda a diferença na recuperação.


O que é a fratura do úmero proximal?

O úmero proximal é a região superior do osso do braço. Nessa região, ele forma a articulação do ombro junto com a escápula e se divide em quatro partes principais: a cabeça do úmero, o tubérculo maior, o tubérculo menor e a diáfise proximal. Portanto, quando uma ou mais dessas partes se rompem, o médico classifica a lesão como fratura do úmero proximal.

De acordo com dados da literatura ortopédica, essa fratura responde por 5 a 10% de todas as fraturas do corpo humano. Além disso, ela ocupa o terceiro lugar entre as mais comuns em pacientes acima de 75 anos — atrás apenas das fraturas do quadril e do punho.


Quais são as causas da fratura do úmero proximal?

O mecanismo de lesão mais frequente é a queda da própria altura com o braço estendido para amortizar o impacto. Por isso, idosos com osteoporose representam o grupo de maior risco — o osso fratura mesmo em quedas de baixa energia.

Por outro lado, em adultos jovens, a fratura geralmente surge por traumas de alta energia, como acidentes de carro ou esportes de contato. Nesses casos, as fraturas tendem a ser mais complexas e com maior desvio entre os fragmentos.

Além disso, algumas condições aumentam o risco da lesão:

– Osteoporose — principal fator de risco em mulheres após a menopausa – Uso crônico de corticoides — reduz a densidade óssea ao longo do tempo – Déficit de equilíbrio e força muscular — eleva o risco de quedas em idosos – Histórico de fratura prévia — indica fragilidade óssea aumentada


Classificação de Neer: entendendo os tipos de fratura do úmero proximal

O médico utiliza a classificação de Neer para descrever a fratura do úmero proximal. Nessa classificação, o número de “partes” indica quantos fragmentos ósseos se separaram. Nesse sentido, quanto maior o número de partes, maior a complexidade da fratura e o risco de complicações.

Fratura em uma parte: sem desvio significativo entre os fragmentos. Representa cerca de 80% dos casos e tem tratamento conservador na grande maioria das vezes.

Fratura em duas partes: um fragmento se separa com desvio maior que 1 cm ou angulação acima de 45°. Exige avaliação individual para definir entre tratamento conservador e cirúrgico.

Fratura em três partes: dois fragmentos com desvio significativo. O risco de necrose da cabeça do úmero é elevado e o tratamento geralmente é cirúrgico.

Fratura em quatro partes: todos os fragmentos estão desviados. Alto risco de necrose. A prótese do ombro é frequentemente indicada.

Vale destacar que 80% das fraturas do úmero proximal são de uma parte, sem desvio significativo. Como resultado, a grande maioria dos pacientes realiza o tratamento de forma conservadora, sem necessidade de cirurgia.


Sintomas da fratura do úmero proximal

Ao sofrer uma fratura do úmero proximal, o paciente apresenta sinais bastante característicos. Entre os principais, estão:

– Dor intensa no ombro, que piora com qualquer movimento do braço – Incapacidade de elevar o braço ou realizar atividades básicas – Edema (inchaço) na região do ombro e parte superior do braço – Equimose (roxo) que pode se estender até o cotovelo nos primeiros dias – Deformidade visível do ombro nas fraturas com desvio importante – Dormência ou formigamento no braço — sinal de possível lesão do nervo axilar

Em especial, a dormência na face lateral do ombro merece atenção imediata. Isso ocorre porque o nervo axilar passa próximo à cabeça do úmero e pode sofrer compressão nas fraturas desviadas. Portanto, qualquer sinal neurológico deve levar o paciente ao pronto-socorro.


Como o médico faz o diagnóstico?

O diagnóstico começa com a avaliação clínica. Após examinar o ombro e avaliar a dor e os movimentos possíveis, o médico solicita exames de imagem para confirmar a fratura e planejar o tratamento.

Radiografia do ombro: é o exame inicial. Para isso, o médico solicita três incidências — anteroposterior, axilar e perfil de escápula — visualizando a fratura em três planos diferentes.

Tomografia computadorizada (TC): indicada em fraturas complexas. Além disso, a reconstrução 3D ajuda a planejar a cirurgia com muito mais precisão.

Ressonância magnética (RM): útil para avaliar lesões associadas — como ruptura do manguito rotador ou da cápsula articular — que frequentemente acompanham as fraturas de alta energia.


Tratamento da fratura do úmero proximal

Antes de tudo, o médico avalia a fratura em conjunto com o perfil do paciente. Nesse sentido, a decisão entre tratamento conservador e cirúrgico considera o tipo de fratura, a idade, o nível de atividade e a qualidade óssea.

Tratamento conservador

Na maioria dos casos, a fratura do úmero proximal tem tratamento sem cirurgia. Uma tipoia mantém o braço imobilizado por três a seis semanas. Enquanto isso, exercícios suaves chamados exercícios de Codman são iniciados para preservar a mobilidade articular. Nesses exercícios, o tronco se inclina para frente e o braço se movimenta com a força da gravidade, sem acionar a musculatura do ombro. Com isso, o risco de rigidez cai significativamente desde os primeiros dias.

A partir daí, a fisioterapia avança de forma progressiva, com foco no fortalecimento do manguito rotador. Portanto, a adesão ao protocolo de reabilitação determina diretamente o resultado funcional.

Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia entra em cena nas fraturas com desvio significativo — acima de 1 cm entre os fragmentos ou angulação maior que 45°. Ao mesmo tempo, pacientes jovens e ativos com fraturas de duas ou mais partes também se beneficiam da intervenção cirúrgica. Isso ocorre porque a consolidação em posição inadequada limitaria permanentemente os movimentos do ombro.

Já em idosos com osteoporose grave e fraturas complexas, a prótese reversa do ombro costuma oferecer resultados mais previsíveis do que a fixação com placas. Em ambos os casos, a avaliação individualizada com um especialista em ombro é essencial para a melhor decisão. Para entender melhor como funciona a cirurgia do ombro, acesse o artigo sobre artroscopia do ombro.


Recuperação após a fratura do úmero proximal

Independentemente do tratamento escolhido, a recuperação exige paciência e comprometimento com a reabilitação. Em geral, o processo se divide em quatro fases:

0 a 3 semanas — proteção e controle da dor: a tipoia protege o ombro e os exercícios de Codman preservam a mobilidade articular desde o início.

3 a 6 semanas — recuperação da mobilidade: exercícios ativos-assistidos são iniciados pelo fisioterapeuta para recuperar a amplitude de movimento.

6 a 12 semanas — fortalecimento muscular: exercícios de fortalecimento do manguito rotador e dos estabilizadores da escápula ganham intensidade progressiva.

3 a 6 meses — retorno às atividades completas: trabalho, esporte e atividades de vida diária são retomados progressivamente, sem restrições.

Vale lembrar que idosos têm recuperação naturalmente mais lenta. Ainda assim, a mobilização precoce é fundamental para esse grupo. Caso contrário, a imobilização prolongada eleva significativamente o risco de capsulite adesiva — uma das complicações mais temidas após a fratura. Para se preparar, confira as orientações cirúrgicas do Dr. Henry Fukuda.


Complicações possíveis

Embora a maioria dos pacientes se recupere bem, algumas complicações podem surgir ao longo do tratamento. Por isso, o acompanhamento médico regular é indispensável.

Rigidez articular: a mais frequente. Felizmente, a fisioterapia precoce a previne com eficácia.

Osteonecrose da cabeça do úmero: surge quando a fratura interrompe o suprimento sanguíneo para a cabeça do úmero. Por isso, fraturas em quatro partes têm risco elevado dessa complicação.

Consolidação viciosa: o osso consolida em posição inadequada e limita os movimentos. Assim, a redução precisa na cirurgia é determinante para evitá-la.

Lesão do nervo axilar: causa dormência e fraqueza do deltoide. Na maioria dos casos, o nervo se recupera de forma espontânea em alguns meses.

Pseudoartrose: o osso não consolida no prazo esperado. Nesse caso, uma nova cirurgia estimula a cicatrização óssea.

Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), o acompanhamento com um especialista em ombro reduz de forma significativa o risco de complicações e melhora os resultados funcionais a longo prazo.


Sofreu uma queda e está com dor intensa no ombro? Procure avaliação ortopédica imediatamente. Agende sua consulta com o Dr. Henry Fukuda — especialista em cirurgia do ombro pelo HC-FMUSP e membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês.

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