Luxação Acromioclavicular: O Que É, Graus e Quando Operar

Compartilhe:

A luxação acromioclavicular é uma das lesões mais comuns do ombro em atletas e praticantes de esportes de contato. Ela ocorre quando a clavícula se desloca em relação ao acrômio — a parte da escápula que forma o “teto” do ombro — rompendo os ligamentos que mantêm essa articulação estável. Por essa razão, a lesão provoca dor, inchaço e, nos casos mais graves, uma deformidade visível no ombro.

Neste artigo, o Dr. Henry Fukuda — especialista em cirurgia do ombro e cotovelo pela USP, médico da Seleção Brasileira de Rugby e membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês — explica o que é a luxação acromioclavicular, como ela é classificada em graus, quais são os sintomas e quando a cirurgia é necessária. Em outras palavras, este guia foi criado para ajudar você a entender essa lesão e tomar as melhores decisões para o seu ombro.


O Que É a Articulação Acromioclavicular?

Antes de entender a lesão, é importante conhecer a articulação. A articulação acromioclavicular (AC) é o ponto de união entre a clavícula e o acrômio — duas estruturas ósseas que formam a parte superior do ombro. Essa articulação é estabilizada por dois grupos de ligamentos:

  • Ligamentos acromioclaviculares: conectam diretamente a clavícula ao acrômio
  • Ligamentos coracoclaviculares: conectam a clavícula ao processo coracoide da escápula, sendo os principais responsáveis pela estabilidade vertical do ombro

Portanto, quando ocorre um trauma no ombro, esses ligamentos podem se romper parcial ou completamente — resultando na luxação acromioclavicular. A gravidade da lesão depende diretamente de quais ligamentos foram rompidos e em que extensão.


O Que Causa a Luxação Acromioclavicular?

A luxação acromioclavicular ocorre, na maioria dos casos, por uma queda direta sobre o ombro com o braço ao longo do corpo. Nessa situação, o impacto empurra o acrômio para baixo enquanto a clavícula permanece em sua posição, rompendo os ligamentos da articulação.

Além disso, outros mecanismos de trauma podem causar essa lesão:

  • Quedas de bicicleta, motocicleta ou cavalo com impacto no ombro
  • Colisões em esportes de contato, como rugby, futebol americano, judô e lutas
  • Acidentes automobilísticos com impacto lateral no ombro
  • Quedas em esportes radicais como mountain bike e esqui

Por isso, a luxação acromioclavicular é especialmente frequente em atletas jovens e adultos ativos. O Dr. Henry Fukuda, como médico da Seleção Brasileira de Rugby, trata regularmente essa lesão em atletas de alto rendimento — o que lhe confere ampla experiência no manejo dos casos mais complexos.


Os 6 Graus da Luxação Acromioclavicular (Classificação de Rockwood)

A classificação mais utilizada para a luxação acromioclavicular é a Classificação de Rockwood, que divide a lesão em seis graus conforme o grau de comprometimento ligamentar e o deslocamento da clavícula. Compreender esses graus é fundamental para definir o tratamento correto.

Grau I — Entorse Leve

Neste grau, os ligamentos acromioclaviculares sofrem apenas uma distensão (estiramento), sem ruptura. Os ligamentos coracoclaviculares permanecem íntegros. Portanto, a articulação mantém sua estabilidade e não há deslocamento visível da clavícula. A dor é leve a moderada e o tratamento é exclusivamente conservador.

Grau II — Ruptura Parcial

No grau II, os ligamentos acromioclaviculares se rompem completamente, mas os coracoclaviculares permanecem íntegros. Como resultado, existe uma subluxação leve da clavícula — ela se desloca levemente para cima, mas sem deformidade evidente. O tratamento também é conservador na grande maioria dos casos.

Grau III — Ruptura Completa

O grau III envolve a ruptura completa de ambos os grupos de ligamentos — acromioclaviculares e coracoclaviculares. Nesse caso, a clavícula se desloca claramente para cima, criando uma saliência visível no ombro. É o grau mais controverso em termos de tratamento: muitos pacientes respondem bem ao tratamento conservador, mas atletas de alta performance ou trabalhadores com atividades físicas intensas podem se beneficiar da cirurgia.

Grau IV — Deslocamento Posterior

No grau IV, além da ruptura dos ligamentos, a clavícula se desloca para trás, penetrando no músculo trapézio. Sendo assim, o tratamento cirúrgico é sempre indicado nesse grau.

Grau V — Deslocamento Grave

O grau V representa uma lesão muito mais grave que o grau III. A clavícula se desloca de 100% a 300% acima da sua posição normal, com ruptura completa de todos os ligamentos e afastamento significativo entre a clavícula e o acrômio. Além disso, a musculatura ao redor do ombro também é comprometida. A cirurgia é sempre indicada.

Grau VI — Deslocamento Inferior (Raro)

O grau VI é extremamente raro. Nele, a clavícula se desloca para baixo do acrômio ou do processo coracoide — geralmente após traumas de altíssima energia. Da mesma forma que os graus IV e V, o tratamento cirúrgico é mandatório.


Quais São os Sintomas da Luxação Acromioclavicular?

Os sintomas variam conforme o grau da lesão. No entanto, de maneira geral, os mais frequentes são:

  • Dor na parte superior do ombro — localizada especificamente sobre a articulação AC, que piora ao movimentar o braço
  • Inchaço e hematoma — especialmente nos casos de ruptura ligamentar completa
  • Saliência visível no ombro — a clavícula se projeta para cima, formando um “calombo” característico nos graus III a VI
  • Limitação dos movimentos — dificuldade para elevar o braço, especialmente acima da cabeça
  • Dor ao deitar sobre o ombro afetado — muito frequente nas primeiras semanas após a lesão
  • Fraqueza no braço — nos casos mais graves, quando a musculatura ao redor do ombro também é comprometida

É importante ressaltar que, nos graus I e II, a deformidade pode ser mínima ou imperceptível. Contudo, a dor localizada sobre a articulação AC ao exame físico é sempre presente e muito sugestiva do diagnóstico.


Como o Especialista Faz o Diagnóstico?

O diagnóstico da luxação acromioclavicular começa com uma avaliação clínica detalhada. Primeiramente, o Dr. Henry Fukuda investiga o mecanismo do trauma, a intensidade da dor e a presença de deformidade. Em seguida, o exame físico inclui testes específicos para avaliar a estabilidade da articulação AC e a integridade dos ligamentos.

Para confirmar o diagnóstico e determinar o grau da lesão, o médico solicita:

  • Radiografia (Raio-X): é o principal exame. O Dr. Henry solicita radiografias em posição específica — de frente com e sem peso no braço — para visualizar o deslocamento da clavícula e calcular o grau da lesão. Além disso, a comparação com o ombro contralateral é fundamental
  • Ressonância Magnética: avalia o estado dos ligamentos e identifica lesões associadas, como ruptura do manguito rotador ou lesão labral
  • Tomografia Computadorizada: útil nos casos mais complexos para avaliar a anatomia óssea e planejar a cirurgia

Desse modo, a combinação do exame clínico com os exames de imagem permite ao Dr. Henry Fukuda determinar com precisão o grau da lesão e a melhor estratégia de tratamento.


Quais São as Opções de Tratamento?

O tratamento da luxação acromioclavicular varia conforme o grau da lesão, o perfil do paciente e suas demandas funcionais. Portanto, o Dr. Henry Fukuda sempre avalia cada caso de forma individual antes de indicar a melhor abordagem.

Tratamento Conservador (Graus I, II e maioria do III)

Nos graus I e II, o tratamento conservador é sempre a primeira — e geralmente única — escolha. Além disso, a maioria dos pacientes com grau III também responde bem a essa abordagem. O tratamento conservador inclui:

  • Tipoia: imobilização do braço por 1 a 2 semanas para controle da dor e proteção da articulação
  • Gelo e medicamentos: anti-inflamatórios e analgésicos para controle da dor e da inflamação nas primeiras semanas
  • Fisioterapia: iniciada assim que a dor permite, com foco na recuperação da mobilidade, do fortalecimento muscular e da estabilidade escapular

De maneira geral, os graus I e II têm excelente evolução com o tratamento conservador. O retorno às atividades esportivas ocorre em 2 a 6 semanas, dependendo do grau e da resposta individual do paciente.

Tratamento Cirúrgico (Graus III instável, IV, V e VI)

A cirurgia é indicada nos graus IV, V e VI — e também no grau III quando o paciente é atleta de alta performance, pratica atividades que exigem grande estabilidade do ombro ou não respondeu ao tratamento conservador.

O princípio geral da cirurgia é reduzir a clavícula à sua posição anatômica e reconstruir os ligamentos coracoclaviculares. O Dr. Henry Fukuda utiliza preferencialmente a técnica artroscópica — minimamente invasiva — para fixar a clavícula ao processo coracoide com dispositivos como botões de titânio (endobutton) ou fios de alta resistência.

Além disso, quando a cirurgia ocorre de forma tardia — após mais de 3 a 4 semanas do trauma — o Dr. Henry utiliza enxertos de tendão para reforçar a reconstrução ligamentar, garantindo maior estabilidade a longo prazo.

Os resultados da cirurgia são consistentemente bons. Contudo, o sucesso do tratamento depende tanto da técnica cirúrgica quanto da adesão à reabilitação pós-operatória.


Como É a Recuperação?

A recuperação varia conforme o tratamento realizado. No caso conservador, o processo é mais rápido:

  • Semanas 1 a 2: uso de tipoia e controle da dor
  • Semanas 3 a 6: fisioterapia para recuperação da mobilidade e da força
  • Semanas 6 a 12: retorno progressivo às atividades esportivas

Já após a cirurgia, a recuperação é mais gradual:

  1. Fase inicial (0 a 6 semanas): tipoia para proteger a fixação cirúrgica, fisioterapia suave para mobilização precoce
  2. Fase intermediária (6 semanas a 3 meses): ganho progressivo de amplitude de movimento e início do fortalecimento
  3. Fase final (3 a 6 meses): fortalecimento avançado e retorno gradual às atividades esportivas

Afinal, o retorno ao esporte deve ocorrer apenas quando o paciente atinge força e mobilidade adequadas — e sempre com a liberação do Dr. Henry Fukuda. Sendo assim, respeitar o tempo de recuperação é fundamental para evitar recidivas.


Quando Devo Procurar um Especialista?

Procure o Dr. Henry Fukuda se você apresentar:

  • Dor intensa no ombro após queda ou trauma direto
  • Saliência ou deformidade visível na parte superior do ombro
  • Dificuldade para movimentar o braço após um acidente esportivo
  • Dor persistente no ombro após diagnóstico de lesão AC tratada sem cirurgia
  • Instabilidade no ombro durante atividades físicas

Em conclusão, a luxação acromioclavicular é uma lesão tratável, com excelente prognóstico quando diagnosticada e tratada corretamente. A chave para um bom resultado é a avaliação precoce por um especialista experiente — que irá determinar o grau da lesão e indicar o tratamento mais adequado para o seu perfil.

O Dr. Henry Fukuda é especialista em cirurgia do ombro e cotovelo, médico da Seleção Brasileira de Rugby e membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês. Portanto, se você sofreu um trauma no ombro ou suspeita de luxação acromioclavicular, agende uma consulta e receba uma avaliação personalizada.

Além disso, confira as páginas de lesões esportivas e lesões do ombro disponíveis no site do Dr. Henry Fukuda.

Últimos posts

Luxação Acromioclavicular: O Que É, Graus e Quando Operar

Artrose do Ombro: O Que É, Sintomas e Opções de Tratamento

Tendinite Calcárea do Ombro: O Que É, Sintomas e Como Tratar

Dor no Cotovelo: Principais Causas e Quando Procurar um Especialista

Luxação Acromioclavicular: O Que É, Graus e Quando Operar
22abr

Luxação Acromioclavicular: O Que É, Graus e Quando Operar

A luxação acromioclavicular é uma das lesões mais comuns do ombro em atletas e praticantes de esportes de contato. Ela ocorre quando a clavícula se desloca em relação ao acrômio — a parte da escápula que forma o “teto” do ombro — rompendo os ligamentos que mantêm essa articulação estável. Por essa razão, a lesão […]

Artrose do Ombro: O Que É, Sintomas e Opções de Tratamento
20abr

Artrose do Ombro: O Que É, Sintomas e Opções de Tratamento

A artrose do ombro é uma condição degenerativa que afeta a cartilagem da articulação, causando dor crônica, rigidez progressiva e limitação crescente dos movimentos. Embora seja menos conhecida que a artrose do joelho ou do quadril, ela impacta significativamente a qualidade de vida — dificultando tarefas simples como levantar o braço, pentear o cabelo ou […]

Tendinite Calcárea do Ombro: O Que É, Sintomas e Como Tratar
10abr

Tendinite Calcárea do Ombro: O Que É, Sintomas e Como Tratar

A tendinite calcárea do ombro é uma condição que surpreende muitos pacientes: ela pode permanecer completamente silenciosa por meses ou anos e, de repente, causar uma das dores mais intensas que a pessoa já sentiu na vida. Por essa razão, ela é frequentemente descrita como uma das condições mais dolorosas da ortopedia — superando, em […]